Você sabe o que são inteligências múltiplas?

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Inteligências múltiplas? A inteligência não é uma coisa só? Para o psicólogo americano Howard Gardner, não. Ele defende a tese de que todo ser humano tem 9 tipos de inteligência, sendo que cada uma delas é responsável por processar as informações do mundo de determinada maneira.

Em outras palavras, Gardner questiona principalmente a ideia de que há um QI padrão capaz de medir (e definir) o grau de inteligência de uma pessoa. Atualmente, temos acompanhado a sua teoria se popularizar de forma intensa, orientando a prática de inúmeros educadores.

A seguir, listamos informações para que você entenda melhor o que são, quais são os principais tipos e qual é a importância de desenvolver as inteligências múltiplas desde a infância. Acompanhe as próximas linhas e boa leitura!

O que são inteligências múltiplas?

Primeiramente, é preciso entender qual é o significado da palavra “inteligência”. Derivada da união de dois termos latinos: inter (entre) e legere (escolher), ela expressa a capacidade de eleger, entre duas ou mais alternativas, aquela que melhor responde à situação vivenciada. Em resumo, inteligência se refere à habilidade de resolver problemas, de conviver, de se adaptar, de criar etc.

Partindo disso, o psicólogo Howard Gardner e sua equipe da consagrada Universidade de Harvard entraram em conflito com a tradicional teoria do QI ao afirmarem que inteligência humana não é uma entidade única, mas uma composição de 9 tipos de inteligências — que diferem entre si em razão de suas características.

Segundo Gardner, temos cada uma delas, mas podemos desenvolver mais determinada inteligência, que se torna dominante em relação às outras. Essa inteligência predominante influencia muito na forma como enxergamos, interagimos e aprendemos com o mundo à nossa volta.

Vale destacar que não há uma inteligência mais importante ou válida do que as outras: elas tornam as pessoas apenas diferentes. Outro ponto a ser levado em consideração é que todos os seres humanos têm o potencial de desenvolver as 9 inteligências.

Quais são as características principais de cada uma delas?

Quer saber quais são os 9 tipos de inteligências definidas pelos pesquisadores de Harvard? Sem mais delongas, vamos conhecer cada uma delas!

Inteligência linguística

Relacionada ao domínio da linguagem e à capacidade de comunicação (de expressão). A linguagem aqui referida não se restringe apenas à oral ou escrita, mas abarca a gestual, a corporal etc. O indivíduo com inteligência linguística costuma perceber os componentes da palavra (e as chamadas entrelinhas) de uma forma muito mais sensível.

Inteligência lógico-matemática

Facilidade na resolução de problemas que envolvem deduções lógicas e raciocínio numérico. Os testes de quociente de inteligência (QI) utilizam essa habilidade para medir a inteligência de uma pessoa.

Inteligência espacial

Aptidão para criar imagens mentais, identificar detalhes e desenhar, isto é, para compreender informações tridimensionais e distinguir detalhadamente formas, figuras, linhas e cores. No geral, essas pessoas têm um acurado senso estético.

Inteligência musical

Elevada sensibilidade para distinguir formas e sons musicais. Facilidade para tocar instrumentos, ler partituras e compor peças musicais.

Inteligência corporal-sinestésica

Domínio dos movimentos corporais, de forma a gerar produtos artísticos (expressar sentimentos pelo corpo) ou mesmo habilidade na manipulação de objetos. Estão envolvidas nesse tipo de inteligência a coordenação motora grossa e fina.

Inteligência intrapessoal

Propensão ao autoconhecimento e gerenciamento das emoções. Em outras palavras, refere-se àqueles que conseguem acessar seus próprios sentimentos, refletir sobre eles e dominá-los.

Inteligência interpessoal

Facilidade de construir e manter relações com outras pessoas. É, sobretudo, a capacidade de reconhecer e interpretar os sentimentos, as motivações e os temperamentos alheios, ou seja, de desenvolver a empatia.

Inteligência naturalista

Competência para compreender a natureza, conseguindo se conectar e sendo sensível aos seus processos (causas ambientais). Podemos dizer que a inteligência naturalista é aquela que funciona como um elo entre os seres humanos e a natureza.

Inteligência existencial

Acentuada curiosidade e sensibilidade a questões relativas à existência e ao sentido da vida. Pessoas com essa inteligência predominante estão sempre se voltando a questões como: “Quem sou?”, “De onde viemos?” e “Para onde vamos?”.

Qual é a importância de desenvolver as inteligências múltiplas nas crianças?

Conforme já foi dito, todas as pessoas têm igual potencialidade para desenvolver os 9 tipos de inteligência — ainda que algumas delas possam ser predominantes às outras.

Existir o potencial, no entanto, não significa necessariamente que a habilidade será desenvolvida. Essas competências dependem, em grande parte, de condições ambientais — família, escola, comunidade etc. — que sejam propícias e sirvam de estímulo para sua evolução.

Esse é um ponto sensível às escolas e aos educadores, pois a teoria de Gardner desestabiliza todo o nosso sistema educacional, uma vez que ele tende a privilegiar apenas dois tipos de inteligência — a linguística e a lógico-matemática — e ignorar todas as outras.

É importante destacar que a tese das inteligências múltiplas nos ajuda a compreender que nossos interesses e aptidões têm um impacto muito grande na forma como incorporamos as informações. Isso significa que as habilidades dominantes que o aluno tem podem ser definidoras para o seu processo de aprendizagem.

Além disso, é necessário enfatizar que vivemos em uma sociedade cada vez mais complexa e repleta de demandas. Compreender a inteligência como um espectro composto por múltiplos fatores, que precisam ser igualmente trabalhados, significa olhar para as crianças como sujeitos integrais e colaborar para o seu desenvolvimento pleno. O resultado disso? Adultos equilibrados, abertos à diversidade e aptos a atuar na sociedade de maneira crítica e autônoma.

Por fim, cabe lembrar que as escolas têm a responsabilidade de encarar o processo de ensino-aprendizagem como um direito de todos os alunos, garantindo que eles tenham iguais condições de acessar o conhecimento, bem como de dar atenção aos talentos no cotidiano das salas de aula.

Para tanto, são necessárias modificações nas propostas e práticas pedagógicas e, principalmente, na maneira de considerar e avaliar as inteligências múltiplas dos estudantes!

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