habilidades socioemocionais

O que são habilidades socioemocionais e qual sua importância para a educação no Brasil

Talvez você já tenha ouvido alguém dizer que “fulano não tem inteligência emocional”. Provavelmente, essa fala se refere a uma pessoa que não sabe lidar com as próprias emoções, seja no ambiente de trabalho, seja em relacionamentos interpessoais, ou age de forma descontrolada, perde a razão ou até apresenta sintomas de transtornos mentais.

De fato, essas são situações extremas, mas que ilustram bem a dificuldade de gerir as próprias emoções. É um desafio que reforça a necessidade de lidar com essa parte integrante da vida desde cedo.

Crianças e jovens com desenvolvimento emocional bem trabalhado conseguem aprender com mais facilidade, ter melhor desempenho nos estudos e se relacionar de forma positiva com os que os cercam ― reflexos que perdurarão na fase adulta.

Tem interesse nesse assunto? A seguir, entenda como as habilidades socioemocionais são importantes para o processo de ensino-aprendizagem e por que esse assunto está em alta.

O que são habilidades socioemocionais?

As habilidades socioemocionais são competências necessárias para uma pessoa reconhecer e lidar com as próprias emoções, pensamentos e comportamentos diante dos eventos ao longo da vida. Alguns exemplos são: responsabilidade, consciência social, autogestão, cooperação e resolução de problemas.

Desenvolvê-las é questão de aprendizado, e isso acontece desde a infância, já que tais competências influenciam uma ampla gama de resultados pessoais e sociais.

Qual é a diferença entre habilidades socioemocionais e cognitivas?

Habilidades cognitivas são práticas regidas pelo raciocínio lógico e que estimulam a capacidade analítica. A facilidade com números e a memorização são dois exemplos. No contexto de ensino, as habilidades cognitivas são mais suscetíveis a avaliações tradicionais que enquadram as respostas dos alunos em noções gerais de certo ou errado.

Já as habilidades socioemocionais não se adaptam a avaliações de certo ou errado, tendo em vista a dificuldade de medir emoções. As práticas de avaliação, nesse caso, costumam ser mais personalizadas para cada aluno ou turma e têm o objetivo de compreender as experiências, em vez de enquadrá-las.

No entanto, tanto as habilidades socioemocionais quanto as cognitivas são fundamentais para o desenvolvimento de crianças e jovens. Como reforça a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), é preciso garantir o desenvolvimento integral do aluno nas etapas da Educação Básica.

Por que o mundo tem falado tanto sobre habilidades socioemocionais?

Nós estamos vivendo a chamada 4ª Revolução Industrial, comandada pela tecnologia e seus desdobramentos, como inteligência artificial, aprendizagem automática e robótica avançada. Tudo isso está mudando a forma como interagimos em sociedade e, de forma bastante ampla, transformando as relações profissionais e de mercado.

Em vista disso, os relatórios anuais 2017-2018 do Fórum Econômico Mundial (FEM) afirmam que 35% das principais habilidades requisitadas para a maioria das ocupações devem ser modificadas.

Das competências que todo profissional precisa aprender até a entrada dessa segunda década do século 21, segundo matéria da Revista Exame, 6 dizem respeito a habilidades socioemocionais. Vamos explicar cada uma delas a seguir.

Gestão de pessoas

Ter habilidades de liderança, saber coordenar equipes e identificar talentos são ações que fazem parte do olhar humano desse novo perfil profissional, sendo as principais funções de um gestor, de acordo com o FEM.

Coordenação

Saber agir de forma coordenada com outras pessoas é outra competência em destaque no relatório do FEM. Para os especialistas, essa é uma habilidade essencial no mercado de trabalho, especialmente para líderes, já que está ligada à facilitação de processos ― lembrando que a presença de profissionais de diferentes áreas em um mesmo projeto tornou-se comum.

Inteligência emocional

É a principal habilidade para que um profissional passe pelas piores crises com mais serenidade e aprenda boas lições. Ao ter a inteligência emocional desenvolvida, o indivíduo consegue agir de forma racional diante de adversidades e não desiste de enfrentar desafios, por mais desmotivadores que sejam.

Processo de julgamento e tomada de decisão

Nem sempre é fácil tomar decisões, especialmente em ambientes de alta complexidade, como o corporativo. Então, os profissionais que mais se destacam são aqueles que conseguem analisar de forma crítica os eventos e fatos, a fim de encontrar a melhor saída.

Orientação para servir

Cooperação e auxílio mútuo são pontos-chave no desenvolvimento de um trabalho em equipe. Por isso, saber intervir quando outra pessoa está precisando de ajuda é uma competência essencial para atingir os resultados desejados.

Negociação

A negociação está presente dentro e fora do ambiente profissional, mas no caso do mundo corporativo é um importante diferencial para que ideias sejam acolhidas e diferenças sejam respeitadas, até que se chegue a um denominador comum. Portanto, é uma habilidade importante tanto nos negócios quanto nos próprios processos internos de uma empresa, bem como nas relações profissionais.

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Agora, voltando para a realidade das crianças e adolescentes — que majoritariamente se resume a ambientes de estudo, lazer e família —, é possível fazer um paralelo com relação ao processo de ensino-aprendizagem.

A escola precisa acompanhar a dinâmica do mundo contemporâneo, uma vez que seu papel formativo é garantir que seus alunos saiam prontos para enfrentar a vida real. Nesse sentido, um grande exemplo de mudança na educação é a presença cada vez mais constante das chamadas metodologias ativas.

Ao contrário do ensino tradicional, essas metodologias colocam o estudante no centro do processo de ensino-aprendizagem e o aluno assume uma série de responsabilidades na construção do seu conhecimento. Para tanto, o desenvolvimento de autonomia, liderança, pensamento crítico e habilidades de trabalho em equipe se faz altamente necessário e reforçará as chamadas habilidades cognitivas (referentes ao aprendizado).

Qual o papel da escola no desenvolvimento das habilidades socioemocionais?

O que torna uma escola viva são justamente as relações humanas, e em um mundo tecnológico como o atual, elas se tornaram primordiais para a formação integral do indivíduo. A partir disso, vale dizer que a presença das habilidades socioemocionais no currículo não é uma questão particular de escolas mais “engajadas” em oferecer formação humanística.

A questão é tão importante para as gerações atuais e futuras que o desenvolvimento dessas competências integra, como vimos, a Base Nacional Curricular Comum (BNCC), que norteia os currículos das escolas do Infantil ao Ensino Médio.

Além da preocupação com a atuação do indivíduo na sociedade, a BNCC também afirma que o desenvolvimento de habilidades socioemocionais é uma ferramenta essencial para a proteção da saúde mental e o afastamento do bullying. Isso porque a educação socioemocional tem a ver com o processo de gestão das emoções, visando a uma postura empática e com tomadas de decisão responsáveis, dentro e fora da escola.

Sendo assim, a educação socioemocional é pautada pelo desenvolvimento de 5 competências:

  • autoconsciência;
  • autogestão;
  • consciência social;
  • habilidades de relacionamento;
  • tomada de decisão responsável.

De acordo com o Ministério da Educação (MEC), para que as habilidades socioemocionais sejam trabalhadas em sala de aula, é primordial que o professor tenha clareza sobre essas competências e atue como mediador, criando estratégias para auxiliar especialmente os alunos que apresentam limitações ou dificuldades ao lidar com o tema. Para tanto, seu trabalho deve ser composto de:

  • planejamento e metas claros;
  • explicações sobre conceitos e objetivos;
  • transcendência — fazer o aluno pensar no assunto além do momento da atividade;
  • oportunidades para que o aluno realmente entenda as questões levantadas;
  • compartilhamento de ideias;
  • valorização das diferentes consciências;
  • proposição de desafios;
  • estratégias e recursos variados para que todos os alunos sejam incluídos;
  • estabelecimento do vínculo professor-aluno.

Além dos muros da escola, os benefícios de desenvolver habilidades socioemocionais desde cedo se estendem à família, amigos e outros ambientes de convívio de uma criança. Na sua fase adulta, as habilidades permitem olhar o mundo de forma mais crítica e reflexiva― o que tem reflexos positivos na carreira e no círculo social.

Como a família pode contribuir para o desenvolvimento das habilidades socioemocionais dos filhos?

Além da escola, a família também desempenha um papel importante no desenvolvimento das habilidades socioemocionais dos alunos. Afinal, ela é a principal responsável pela educação das crianças, é o porto seguro que garante a elas a transmissão de valores e crenças que naturalmente são absorvidas com atitudes e comportamentos.

É dentro da família que uma criança começa a desenvolver suas habilidades socioemocionais e cognitivas, e por isso é imprescindível que ela seja estimulada a descobrir mecanismos saudáveis para lidar com as emoções.

Conversar e ouvir

Ao estimular o diálogo, os membros da família podem se conhecer melhor, principalmente suas opiniões e expectativas, além de incentivar a capacidade de verbalizar angústias e alegrias.

As conversas familiares ajudam as crianças e os jovens a criar um senso de segurança nos adultos que vivem ao seu redor. Quando existe uma disposição para a escuta, a família passa a ser um ponto de referência para os mais novos lidarem com frustrações e desafios pessoais.

Dar o exemplo

As crianças são reflexos do contexto familiar em que estão inseridas. Enquanto algumas estão em um ambiente minimamente estruturado e podem aproveitar para ficar mais tempo com os pais, outras estão em famílias menos favorecidas e são impactadas por estresse e ansiedade.

Um dos jeitos de as crianças aprenderem é por meio da imitação, e os pais podem usar isso a favor da educação delas para ensinar comportamentos que são esperados ou repreendidos na sociedade.

Criar uma rotina

Por mais que isso não pareça, a princípio, estar relacionado com as habilidades socioemocionais, a criação da rotina é algo que merece atenção. Tornar as tarefas do dia mais previsíveis pode ajudar as crianças e os jovens a evitar crises de ansiedade e a aproveitar mais o dia.

Dependendo da idade, é possível integrar as crianças às tarefas domésticas da rotina, como lavar a louça ou preparar o jantar. Isso pode ajudá-las a criar um senso de responsabilidade e disciplina positiva, ao mostrar que cada um ali possui uma tarefa a cumprir.

Como você pôde notar, as habilidades socioemocionais são indispensáveis à formação completa de um ser humano. Quanto mais uma criança ou jovem souber lidar com as próprias emoções, mais garantirá para si e para o próximo um ambiente acolhedor e respeitoso.

Se você gostou das informações, aproveite para aprender mais sobre saúde mental na infância e juventude. Confira nosso post sobre habilidades cognitivas e sua importância para crianças.

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