habilidades socioemocionais

O que são habilidades socioemocionais e qual sua importância para a educação no Brasil

As habilidades socioemocionais se referem às competências necessárias para uma pessoa gerenciar as próprias emoções, ou seja, regular seus pensamentos, sentimentos e comportamentos diante dos eventos ao longo da vida. Desenvolvê-las é questão de aprendizado, e isso deve acontecer desde a infância, já que tais competências influenciam uma ampla gama de resultados pessoais e sociais.

Certamente você já ouviu alguém dizer que “fulano não tem inteligência emocional”. Provavelmente essa fala se refere a alguém que não sabe lidar com as próprias emoções em diferentes contextos, como profissionalmente ou nos relacionamentos interpessoais, e age de forma impensada ou descontrolada ― podendo vitimizar-se, perder a razão ou até sofrer de transtornos mentais.

De fato, esse é um caso extremo, mas ilustra bem a dificuldade de as pessoas gerirem as próprias emoções. Inclusive, crianças e jovens com habilidades socioemocionais bem-desenvolvidas conseguem aprender com mais facilidade, ter melhor desempenho nos estudos e se relacionar de forma positiva com os que os cercam ― reflexos que perdurarão na fase adulta.

Entenda como as habilidades socioemocionais são importantes para o processo de ensino-aprendizagem e por que esse assunto está em alta. Vamos lá?

Por que o mundo tem falado tanto sobre habilidades socioemocionais?

Nós estamos vivendo a chamada 4ª Revolução Industrial, comandada pela tecnologia e seus desdobramentos, como inteligência artificial, aprendizagem automática e robótica avançada. Tudo isso está mudando a forma como interagimos em sociedade e, de forma bastante ampla, transformou as relações profissionais e de mercado.

Em vista disso, os relatórios anuais 2017-2018 do Fórum Econômico Mundial (FEM) afirmam que 35% das principais habilidades requisitadas para a maioria das ocupações deve se modificar. Das 10 competências que todo profissional precisa aprender até a entrada desta segunda década do século 21, para ter sucesso no trabalho, 6 dizem respeito a habilidades socioemocionais. Sobre elas que vamos falar agora.

Gestão de pessoas

Ter habilidades de liderança, saber coordenar equipes e identificar talentos faz parte do olhar humano desse novo perfil profissional, sendo a principal função de um gestor, de acordo com o FEM.

Coordenação

Saber agir de forma coordenada com outras pessoas é outra competência em destaque no relatório do FEM. Para os especialistas, essa é uma habilidade essencial do mercado de trabalho, especialmente para líderes, já que está ligada à facilitação de processos ― lembrando que a presença de profissionais de diferentes áreas em um mesmo projeto tornou-se comum.

Inteligência emocional

É a principal habilidade para que um profissional passe pelas piores crises com mais serenidade e aprenda boas lições. Ao ter a inteligência emocional desenvolvida, o indivíduo consegue agir de forma racional diante de adversidades e não desiste de enfrentar desafios, por mais desmotivadores que sejam.

Processo de julgamento e tomada de decisão

Nem sempre é fácil tomar decisões, especialmente em ambientes de alta complexidade como o corporativo. Então, os profissionais que mais se destacam são aqueles que conseguem analisar de forma crítica os eventos e fatos, a fim de encontrar a melhor saída.

Orientação para servir

Cooperação e auxílio mútuo são pontos-chave no desenvolvimento de um trabalho em equipe. Por isso, saber intervir quando outra pessoa está precisando de ajuda é uma competência essencial para se atingir os resultados desejados.

Negociação

A negociação está presente dentro e fora do ambiente profissional, mas no caso do mundo corporativo é um importante diferencial para que ideias sejam acolhidas e diferenças sejam respeitadas, até que se chegue a um denominador comum. Portanto, é uma habilidade importante tanto nos negócios quanto nos próprios processos internos de uma empresa, bem como nas relações profissionais.

Agora, voltando para a realidade das crianças e adolescentes — que majoritariamente se resume a ambientes de estudo, lazer e família —, é possível fazer um paralelo com relação ao processo de ensino-aprendizagem.

A escola precisa acompanhar a dinâmica do mundo contemporâneo, uma vez que seu papel formativo é garantir que seus alunos saiam prontos para enfrentar a vida real. Nesse sentido, um grande exemplo de mudança na educação é a presença cada vez mais constante das chamadas metodologias ativas de aprendizagem.

Ao contrário do ensino tradicional, essas metodologias colocam o estudante no centro do processo de ensino-aprendizagem e o aluno assume uma série de responsabilidades na construção do seu conhecimento. Para tanto, o desenvolvimento de autonomia, liderança, pensamento crítico e habilidades de trabalho em equipe se faz altamente necessário e reforçará as chamadas habilidades cognitivas (referentes ao aprendizado).

Qual o papel da escola no desenvolvimento das habilidades socioemocionais?

O que torna uma escola viva são justamente as relações humanas, e em um mundo tecnológico como o atual elas se tornaram primordiais à formação integral do indivíduo. A partir disso, vale dizer que a presença das habilidades socioemocionais no currículo não é uma questão particular de escolas mais “engajadas” em oferecer formação humanística.

A questão é tão importante para as gerações atuais e futuras que o desenvolvimento dessas competências integra a Base Nacional Curricular Comum (BNCC), que norteia os eixos pedagógicos do Infantil ao Ensino Médio.

Além da preocupação da atuação do indivíduo na sociedade, a BNCC também afirma que o desenvolvimento de habilidades socioemocionais é uma ferramenta essencial para proteção da saúde mental e afastamento de bullying. Isso porque a educação socioemocional refere-se ao processo de gestão das emoções, visando a uma postura empática e com tomadas de decisão responsáveis, dentro e fora a escola.

Sendo assim, a educação socioemocional é pautada pelo desenvolvimento de 5 competências:

  • autoconsciência;
  • autogestão;
  • consciência social;
  • habilidades de relacionamento;
  • tomada de decisão responsável.

De acordo com o Ministério da Educação (MEC), para que as habilidades socioemocionais sejam trabalhadas em sala de aula, é primordial que o professor tenha clareza sobre essas competências e atue como mediador, criando estratégias para auxiliar especialmente os alunos que apresentem limitações ou dificuldades ao lidar com o tema. Para tanto, seu trabalho deve ser composto de:

  • planejamento e metas claros;
  • explicações sobre conceitos e objetivos;
  • transcendência — fazer o aluno pensar no assunto além do momento da atividade;
  • oportunidades para que o aluno realmente entenda as questões levantadas;
  • compartilhamento de ideias;
  • valorização das diferentes consciências;
  • proposição de desafios;
  • estratégias e recursos variados para que todos os alunos sejam incluídos;
  • estabelecimento do vínculo professor-aluno.

Como você pôde notar, as habilidades socioemocionais são indispensáveis à formação completa de um ser humano. Quanto melhor uma criança ou jovem souber lidar com as próprias emoções, mais garantirá para si e ao próximo um ambiente acolhedor e respeitoso. Além dos muros da escola, os benefícios se estendem à família, amigos e outros ambientes sociais. Já na fase adulta, veremos pessoas mais autoconscientes e capazes de olhar o mundo de forma mais ampla ― o que terá reflexos positivos em sua carreira e em seu círculo social.

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