Descubra os benefícios de estimular as habilidades cognitivas das crianças

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Você já ouviu falar em habilidades cognitivas? Esse assunto costuma ser cercado de uma série de mitos ou de opiniões equivocadas, como a de que intelectualidade é um dom ou a de que há apenas uma forma de inteligência possível.

Em geral, essas ideias impedem os indivíduos de perceberem o potencial cognitivo de uma criança como algo a ser estimulado e aperfeiçoado. Assim, elas nos impossibilitam de compreender o quanto o encorajamento das diferentes inteligências pode contribuir para o desenvolvimento integral dos pequenos.

Nas próximas linhas, você vai ter contato com uma importante teoria acerca das inteligências e compreender quais são os principais elementos das habilidades cognitivas. Além disso, vamos mostrar quais são os benefícios de estimulá-las desde a infância. Boa leitura!

O que diz a teoria das inteligências múltiplas?

Vamos começar por desconstruir o mito de que existem pessoas mais inteligentes que outras. O psicólogo americano Howard Gardner nos ensina que a inteligência deve ser compreendida no plural, porque não se trata de uma coisa só, mas sim de uma conjunção de múltiplas dimensões.

Sua teoria das inteligências múltiplas postula que, mesmo as pessoas podendo apresentar um tipo de habilidade cognitiva predominante, é plenamente possível desenvolver todas as outras. No entanto, a identificação das inclinações naturais das crianças pode contribuir para o seu sucesso futuro e, principalmente, para o fortalecimento de sua autoestima.

De acordo com essa teoria, os nove tipos de inteligência são:

  • verbal ou linguística — desenvoltura com as linguagens verbal e escrita e na comunicação;
  • musical — facilidade na diferenciação e produção de diferentes sons, timbres, tons etc.;
  • lógico-matemática — destreza com cálculos e equações, inclui o pensamento computacional;
  • naturalista — curiosidade pelo funcionamento da natureza e seus fenômenos;
  • intrapessoal — inclinação ao autoconhecimento, ou seja, compreensão de si mesmo e dos seus sentimentos;
  • interpessoal — capacidade empática, predisposição à liderar e facilidade na convivência;
  • espacial — observação dos objetos do mundo a partir de diferentes perspectivas, frequente criação de imagens mentais;
  • corporal-cinestésica — habilidades motoras, inclinação para a expressar as emoções por meio do corpo;
  • existencial — tendência a refletir sobre questões ligadas à existência.

Como funcionam os componentes cognitivos?

Você já refletiu sobre o que costumamos chamar de inteligência? Ou sobre quais são os atributos das pessoas ditas “intelectuais” e como eles podem ser utilizados para alcançar bons resultados na vida escolar, profissional e, sobretudo, pessoal?

Um tipo de competência cognitiva pouco explorada, mas fundamental para que haja um equilíbrio entre todas as outras é a inteligência emocional. Resumidamente, ela se refere à habilidade de reagir bem a situações diversas, desde as mais simples até as mais complexas. É a capacidade de administrar as suas próprias emoções e avaliar empaticamente o contexto das ações.

Abaixo, detalhamos quais são os componentes cognitivos e como eles podem ser explorados junto à inteligência emocional das crianças.

Memória

Um traço intelectual das pessoas inteligentes é a capacidade de reter informações importantes. A memória pode ser treinada e se expandir, mas é sempre interessante lembrar que ela tem limites e que memorizar demanda energia.

Talvez, a ação mais significativa para o treino da memória seja aprender a trabalhar com a seletividade. Saiba diferenciar os assuntos que precisam ser memorizados daqueles que podem ser anotados em cadernos, aplicativos e outros utensílios mnemônicos.

A popularização de smartphones, tablets e outros dispositivos móveis contribui muito para promover essa seletividade. No entanto, você deve instruir seus filhos sobre o papel educativo de aparelhos com os quais ele só se relaciona nos momentos de lazer.

Atenção

A boa memória é fruto, principalmente, da atenção. Quando estamos atentos a determinadas informações, nós as armazenamos mais facilmente e elas ficam disponíveis por mais tempo.

Para que isso dê certo, o descanso é fundamental. Nossa capacidade de estar atento é muito dependente do sono e do uso moderado das nossas faculdades mentais, por exemplo. Além disso, ela é naturalmente orientada para as informações pelas quais temos maior nível de interesse.

O cansaço, a ansiedade e todo tipo de estresse são grandes inimigos da atenção. Assim, uma criança com um processo cognitivo saudável é, quase sempre, alguém com estabilidade emocional e uma vida regrada.

Colocar regras para as crianças é também transmitir segurança a elas, ainda que, em alguns momentos, se mostrem resistentes a esse processo. No entanto, vale lembrar que tudo em excesso faz mal, até mesmo a organização da rotina.

Concentração

É preciso lembrar que a concentração pode ser estimulada se soubermos como ela funciona. Quanto mais tempo dedicamos a uma mesma atividade, menor a nossa capacidade de concentração.

Existem métodos de produtividade como o Pomodoro, que envolvem a prática de se entregar a uma certa atividade por um tempo determinado, descansando logo em seguida. Em qualquer área de estudos, a concentração se liga ao ato de revezar atividades e, principalmente, de descanso.

Assim, práticas criativas, por exemplo, demandam períodos de ócio tanto quanto de concentração. O ócio, por sinal, é muito importante para a qualidade de qualquer um dos componentes cognitivos que apresentamos aqui e contribui para a motivação nos estudos.

Raciocínio lógico

Este é o tópico no qual as pessoas mais pecam quando se aplicam aos estudos. Raciocinar bem implica conhecer o assunto que é objeto de estudo, mas também ser capaz de juntar rapidamente informações para produzir algo novo.

Em provas de vestibular ou no exame do Enem, essa é uma capacidade muito valorizada. Afinal, o atributo mais importante da inteligência é acessar a memória, refletir sobre as informações que você tem e, a partir delas, construir conhecimento. Em outras palavras, implica ser autêntico, independente e pensar por si próprio.

De que maneira esses aspectos podem ser desenvolvidos?

Pode ser que você esteja se perguntando se esses conceitos não são complexos demais para serem ensinados a uma criança. Na verdade, eles ficam muito mais fáceis de assimilar se saírem da teoria e forem incorporados na prática cotidiana.

Principalmente, fazem muito mais sentido para as crianças se forem transmitidos de forma lúdica. Por meio de jogos e brincadeiras é possível testar, diagnosticar e desenvolver as habilidades.

O sucesso dessas estratégias de ensino depende tanto da atuação da escola quanto dos pais e amigos. Logo, é importante criar laços que fortaleçam o desenvolvimento cognitivo dos pequenos, de modo que o estímulo seja diversificado e constante.

E quais são os benefícios de incentivar as habilidades cognitivas nas crianças?

O desenvolvimento cognitivo deve ser encorajado, pois possibilita que a criança interaja de forma sadia com o mundo e com todos ao seu redor. É por meio da cognição que os pequenos se mostram capazes de perceber, assimilar e responder de modo apropriado aos estímulos ambientais.

As habilidades da inteligência permitem que a criança adquira um aprendizado integral e integrado — causando um impacto bastante positivo em seu futuro. Sendo assim, as vantagens de estimulá-las desde a infância são inúmeras. A seguir, destacamos algumas delas. Confira!

Ampliação da coordenação motora

A diferença entre nível de precisão, refinamento e controle da coordenação motora entre as crianças que são estimuladas desde cedo — mediante ações repetitivas ou brincadeiras — é bem grande em relação aquelas que não receberam o mesmo incentivo.

Dominar os próprios movimentos é um benefício muito grande para elas, sobretudo no que tange a expressão e a eficiência de realizar tarefas que envolvem o corpo.

Velocidade de raciocínio aprimorada

Quando as habilidades cognitivas são encorajadas, o cérebro dos pequenos produz diversas conexões diferentes, fazendo com que eles acessem as informações e os conhecimentos já adquiridos em uma velocidade mais rápida.

Isso vale para todos os desafios que se apresentem, ou seja, o desempenho tende a ser melhor desde os problemas matemáticos até os esportes.

Compreensão de causa e efeito

A criança, quando estimulada cognitivamente, compreende que existe uma interconexão, ou uma influência mútua, entre os eventos ao seu redor. Em consequência disso, ela apreende o funcionamento das coisas e dos seres, favorecendo o seu entendimento e o respeito em relação às regras e aos acordos.

Esse tipo de aprendizado é muito significativo, pois quem o desenvolve costuma apresentar um comportamento mais justo e democrático, ou seja, a cidadania na prática.

Facilidade na interação social

O fortalecimento cognitivo, na medida em que permite que a criança adquira autocontrole e autoconfiança, torna possível que apresente também uma maior desenvoltura social. O manejo e a expressão de suas emoções, além da capacidade de se relacionar de maneira empática e cooperativa, são competências socioemocionais trabalhadas conjuntamente ao estímulo cognitivo.

Por fim, cabe reforçar que a compreensão das habilidades cognitivas é fundamental para o desenvolvimento dos pequenos. Se pais, alunos e professores atuarem juntos na formação e treinamento dessas habilidades, o resultado será não apenas crianças mais inteligentes, mas também mais felizes e saudáveis nas outras esferas da vida — emocional, social e psíquica.

Afinal, a expressão individual livre é um requisito muito importante para a nossa aceitação enquanto indivíduos. Conhecer nossos pontos fortes e fracos ajuda no trabalho em grupo e na definição do caráter, uma vez que ele também é baseado no exercício da inteligência.

As habilidades cognitivas podem ser expressas de diferentes formas e cada pessoa tem as suas próprias potencialidades. Sendo assim, é possível ensiná-las aos filhos, mas também aprender muito com eles.

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