autonomia na educação infantil

É necessário estimular a autonomia na educação infantil? Entenda!

Com frequência, fazemos uso da palavra “autonomia”, mas será que sabemos o que ela quer dizer e, principalmente, qual é a importância e como estimular essa habilidade nas crianças? O termo foi criado na Grécia e o seu significado tem íntima relação com outros três termos: independência, liberdade e responsabilidade.

O indivíduo autônomo é aquele que age e pensa de modo independente, isto é, aquele que é livre para tomar suas próprias decisões, desde que aja com responsabilidade consigo e com os outros — assumindo as consequências de seus atos.

A autonomia, dessa forma, não se refere apenas à capacidade de tomar decisões por (e para) si próprio, mas também está vinculada ao desenvolvimento da consciência moral, a partir da qual o indivíduo consegue atuar no mundo de maneira ética, considerando o outro como um ser que é igualmente afetado pelas nossas escolhas.

Quer conhecer os benefícios da autonomia na educação infantil? Aproveite as informações que separamos a seguir. Discutiremos em detalhes os benefícios da autonomia para as crianças, além de explicar como essa competência pode ser promovida na educação.

Quais são os benefícios de impulsionar a autonomia das crianças?

O encorajamento dos pequenos em direção à sua autonomia contribui para a formação de uma personalidade fortalecida, mas não rígida. Resiliência, autoconfiança, criticidade, resolução de conflitos, criatividade, comunicação eficiente e construção de relações saudáveis ao longo da vida são alguns dos inúmeros benefícios de trabalhar a autonomia desde a infância. Veja em mais detalhes a seguir.

Resiliência

Resiliência é a capacidade de transformar a superação de situações adversas em crescimento e aprendizagem.

Não são apenas os adultos que precisam de resiliência para enfrentar momentos difíceis e ultrapassar traumas. Na verdade, são principalmente as crianças que precisam dessa habilidade para saber lidar, desde cedo, com adversidades, absorver menos e minimizar o sofrimento com a realidade.

Autoconfiança

A autoconfiança é construída na infância quando a criança sente que consegue progredir, melhorar habilidades, explorar aptidões e mudar o mundo a sua volta. É o oposto da impotência, que é o sentimento de incapacidade de mudar a sua realidade e a dos outros.

Criticidade

Criticidade se refere à capacidade de analisar, reunir referências e buscar argumentos antes de chegar a um juízo de valor sobre uma situação, um comentário ou uma pessoa. O estímulo à criticidade ajuda a criança a ser menos impulsiva, mais observadora e capaz de tomar decisões justas.

Resolução de conflitos

Resolução de conflitos é uma das habilidades socioemocionais mais importantes para o convívio em sociedade e para o mundo do trabalho. Entender que suas ações têm consequência, especialmente sobre as outras pessoas, ajuda a criança a ser mais prudente e a buscar a cooperação para resolver as adversidades da vida.

Criatividade

A criatividade é estimulada na infância quando a criança cresce sabendo que tem a liberdade para olhar o mundo por diversos ângulos diferentes, ou seja, desenvolver inteligências múltiplas. Essa autonomia alimenta a vontade de aprender e de buscar novas soluções para intervir no planeta.

Comunicação eficiente

O aprimoramento das habilidades de comunicação nasce da autoconfiança, do sentimento de capacidade de intervir no mundo e melhorar aptidões. É um estímulo extremamente valorizado no mercado de trabalho e importante para relações afetivas.

Construção de relações saudáveis

Quando a criança entende que ela também tem uma responsabilidade com o bem-estar do outro e que o outro não necessariamente tem as mesmas necessidades que o eu, é natural que relações afetivas sinceras, saudáveis e baseadas no diálogo e no respeito às diferenças sejam construídas.

De modo geral, podemos dizer que a autonomia é uma das competências socioemocionais mais importantes, uma vez que ela reúne aspectos que perpassam pela inteligência emocional, as habilidades sociais e até a aceleração do desenvolvimento cognitivo da criança.

Sabedoria ao tomar decisões

Toda decisão gera ações e consequências. Ao desenvolver a autonomia na educação infantil, as crianças aprendem a ponderar os prós e contras de suas atitudes e, com isso, podem estruturar suas decisões com maior assertividade e consciência.

Elas aprendem a avaliar riscos e oportunidades, além de analisar como cada decisão que tomam pode influenciar, positiva ou negativamente, tanto seu meio de convívio quanto a si mesmas.

Melhoria da coordenação motora

Não podemos falar em autonomia sem citar o domínio sobre os próprios reflexos. Por isso, o desenvolvimento da autonomia na educação infantil também visa à exploração das coordenações motoras fina e grossa, essenciais para o controle muscular em ações simples, como escrever ou equilibrar-se.

Falhas nesses sistemas pode trazer sérias consequências para a evolução de competências cognitivas e socioemocionais importantes para a formação dos seus filhos.

Desenvolvimento da persistência

É muito comum adultos desistirem facilmente de seus objetivos quando algo dá errado. Essa questão pode ser reflexo de uma habilidade socioemocional pouco explorada mais cedo: lidar com erros e frustrações. Por isso, a autonomia também ajuda no desenvolvimento da persistência, que é a chave de qualquer aprendizado.

Quando uma criança é exposta a desafios, naturalmente aprende a lidar com falhas e perdas. Ao compreender o que precisa melhorar, vai fortalecendo seu senso de persistência, o que será excelente para encarar seus objetivos e projetos.

Qual o papel dos pais no estímulo à autonomia dos filhos?

Os pais podem contribuir para o desenvolvimento da autonomia na educação infantil de maneira especial ao criar um ambiente familiar que apoie esse estímulo. Isso significa desenvolver um estilo de educação em casa que permita à criança ganhar independência e autoconfiança, mas compreendendo o senso de limites e de responsabilidade.

A criação desse ambiente de apoio familiar para a autonomia deve levar em conta premissas como as seguintes:

  • toda regra familiar e expectativa de comportamento devem ser justificadas;
  • os sentimentos e perspectivas da criança devem ser respeitados;
  • o julgamento e o controle devem ser substituídos pelo diálogo;
  • as crianças devem ter oportunidade de escolha;
  • cada nova habilidade da criança deve ser encarada como um desafio e, assim, praticada;
  • as crianças devem aprender a resolver problemas sozinhas;
  • as crianças devem aprender com seus erros (mas em segurança).

Essas pequenas estratégias, como dá para perceber, engajam-se em um modelo de educação em casa seguro e atemporal. Ao longo do tempo, você vai se surpreender e ver como será algo transformador para os pequenos, refletindo positivamente em sua formação integral.

Por esse motivo, é fundamental que a família e a escola estejam em constante parceria, a fim de garantir uma sinergia entre o trabalho realizado na instituição e a vida pessoal.

De que forma é possível promover essa competência na educação infantil?

É preciso ter em mente que a educação infantil só pode ser efetiva quando familiares e educadores estabelecem uma parceria, ou seja, trabalham em conjunto em prol do desenvolvimento integral da criança.

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Isso é relevante porque um dos elementos que facilitam a construção da autonomia dos pequenos é a internalização de regras e hábitos. Para que isso aconteça, não pode haver discrepância entre aquilo que é ensinado dentro de casa e na instituição escolar.

Dito isso, vamos destrinchar algumas maneiras de desenvolver a independência da criança de maneira bem prática. Acompanhe!

Ofereça atividades que sejam adequadas à faixa etária

Procure não fazer pela criança aquelas atividades que ela já é capaz de realizar sozinha. É comum que os adultos nem permitam que os pequenos tentem cumprir certas ações porque supõem que eles não vão conseguir.

No entanto, esse cuidado excessivo pode, inclusive, inibir o próprio desenvolvimento deles. O ideal é que o adulto esteja por perto caso a criança precise de ajuda, mas que a estimule a, pelo menos, tentar fazer a tarefa sozinha. A presença dos pais ou de um educador é importante porque oferece a segurança necessária para que o pequeno comece a construir a confiança em si mesmo.

Veja abaixo algumas atividades que a criança já pode começar a fazer, de acordo com a sua idade:

  • 2 a 3 anos: alimentar-se sozinha, guardar os brinquedos, colocar sapatos sem cadarço e sentar-se à mesa;
  • 3 a 4 anos: ir ao banheiro sozinha (mas com supervisão de um adulto), arrumar a mochila, separar roupas, organizar objetos pessoais;
  • 4 a 5 anos: trocar-se, efetuar sua própria higiene, fazer refeições sem ajuda (exemplo: passar manteiga no pão etc.);
  • a partir de 5 anos: fazer algumas atividades domésticas, como arrumar a cama, lavar louça (tomando o devido cuidado com os objetos cortantes), preparar alimentos, aguar as plantas, alimentar animais e separar o lixo reciclável.

Estabeleça acordos

Para estimular a autonomia na educação infantil, é mais interessante estabelecer acordos do que impor regras. Centralizar todas as decisões pode impedir que os pequenos aprendam habilidades essenciais para a construção de uma identidade autônoma e responsável.

O acordo, ao contrário, simboliza que a sua opinião é importante, mas que, uma vez estabelecido, a criança é tão responsável por fazê-lo cumprir quanto o adulto. Aprender a efetuar escolhas significa também compreender que todas trazem consigo ônus e bônus. Saber disso desenvolve a habilidade de escolha de maneira consciente, em vez de agir impulsivamente.

Dê oportunidades para que a criança tente resolver seus próprios problemas

Tão relevante quanto permitir que a criança tente fazer algumas atividades sozinha é oferecer oportunidade (dar um voto de confiança) para que ela tente resolver seus próprios problemas. Nesse ponto, o diálogo é fundamental, pois é necessário que o adulto saiba qual é a magnitude do problema para que possa propiciar o suporte e a orientação de que o pequeno precisa, mas sem assumir aquilo que compete a ele.

Um exemplo de atitude que pode ser tomada nesse caso se refere a possíveis desentendimentos da criança com algum colega. Os familiares e professores podem orientar a compreender os sentimentos e visualizar a situação, mas um eventual pedido de desculpas ou mesmo uma conversa devem ser feitos, primeiramente, entre as próprias crianças envolvidas.

Não banalize a bronca

Dar limites e repreender são posturas necessárias em muitas situações, até para que a criança internalize alguns hábitos importantes para o convívio em sociedade. Mas muito cuidado para não banalizar a bronca, ou seja, não recorrer a ela de maneira excessiva e indistinta.

Julgamentos sem fundamento acabam tendo efeito contrário, ou seja, eles não só deixam de ser efetivos para combater determinados comportamentos, mas também colaboram para a formação de um indivíduo adulto inseguro, completamente dependente de opiniões alheias. Lembre-se sempre de que a autoconfiança é um componente primordial do sujeito verdadeiramente autônomo.

Há quem interprete a autonomia como a postura de deixar a criança fazer aquilo que ela quiser, o que está totalmente equivocado. O que se pretende ao oferecer um desenvolvimento autônomo para a criança é dar atenção verdadeira às suas opiniões, respostas e desejos, além de orientá-la no sentido de tomar as melhores escolhas.

Esse processo implica enfrentar algumas frustrações pelo caminho, mas também se tornar alguém mais fortalecido e maduro.

Crie um ambiente propício à autonomia

Vimos que o estímulo à autonomia vai além de impor regras e repreender quando necessário, é importante ter cuidado para que as tensões do cotidiano não impeçam você de construir uma relação de amizade com seus filhos, baseada na confiança mútua e no diálogo. É a partir disso que um ambiente propício à autonomia é desenvolvido.

Não apresse o processo

É importante respeitar o ritmo da criança, principalmente no que diz respeito à formação de um hábito saudável para sua vida, como a higienização correta, ou às simples atividades do dia a dia, como arrumar objetos pessoais e respeitar o horário de estudar. Assim, as atividades se tornarão naturais, em vez de carregarem o peso de uma obrigação.

Ensine a lidar com frustrações

O sentimento de frustração vem carregado de diversas emoções com as quais a criança não sabe lidar. Como a frustração está ligada a diversos fatores, uma vez que os identifique, ela pode aprender várias maneiras de liberar esse sentimento.

Para isso, você pode adotar algumas ações simples, como:

  • pergunte que emoções a criança está sentindo;
  • ensine-a a ouvir as reações de seu corpo;
  • ajude-a a descobrir gatilhos que levem às frustrações
  • procure mudar o foco da situação;
  • ensine a criança a respirar;
  • fale sobre o que aconteceu quando a crise passar.

Fale sobre os prós e os contras de cada escolha

Muitas vezes, as crianças não têm consciência de suas escolhas. Por isso, exercite que a criança decida sobre o que quer, dando diferentes opções e explicando o que vai acontecer em cada uma delas. Dessa maneira, ela vai aprendendo a pensar antes de agir, o que tende a repercutir em melhores decisões.

 Incentive o autocuidado

O autocuidado ajuda crianças de todas as idades a se tornarem mais conscientes de suas necessidades físicas e emocionais. Também pode prepará-las para lidar melhor com situações de estresse no futuro. Mesmo pequenas ações de autocuidado podem diminuir o estresse, o nervosismo, melhorar os relacionamentos e promover o bem-estar do corpo e da mente da criança. Veja alguns exemplos:

  • estabeleça uma rotina com horários para higienizar-se, alimentar-se, estudar e dormir;
  • converse sobre como emitir opiniões;
  • converse sobre as emoções;
  • ensine-a a amar a escola e os estudos;
  • ensine-a a ter gentileza com todas as pessoas;
  • converse sobre o que são comportamentos de risco.

Aconselhe a família a estimular a autonomia

Nem sempre outros familiares entendem a importância da autonomia para as crianças. Às vezes essa postura é trabalhada até mesmo de uma forma inconsciente, com atitudes que já se tornaram tão enraizadas na tradição ou na postura das pessoas que elas não as percebem.

Em uma conversa informal, ou quando as crianças precisarem ser repreendidas, vale a pena explicar as razões que motivam a sua postura em prol da autonomia na educação infantil. Dessa forma, ficará mais fácil para os outros familiares reproduzirem de uma maneira consciente a postura de empatia e respeito com as crianças.

Vimos que estimular a autonomia na educação infantil colabora para a construção de crianças (e futuros adultos) mais independentes, críticos, seguros de si, criativos e empáticos.

A escola em que os pequenos estudam é parte determinante em todo esse processo, dado que é um dos agentes responsáveis pela sua socialização e pela construção de sua autoimagem.

O Colégio Verbo Divino, em especial, é uma escola que enaltece a formação integral das crianças e visa à sua autonomia desde a educação infantil até o ensino médio. Em nosso projeto político-pedagógico ressaltamos, entre outras coisas, a educação humanizada, o desenvolvimento da consciência social e o protagonismo do aluno na sociedade como agente de transformação do mundo.

Gostaríamos muito de conhecer sua família! Acesse o site do Colégio Verbo Divino e veja como agendar uma visita.

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